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Análise: uma classificação que deixa mais dúvidas do que certezas – Juazeirense x Vasco

Com o empate, o Vasco perdeu o 100% de aproveitamento em 2019

O objetivo principal da viagem à Juazeiro, na Bahia foi concluído. O empate garantiu o Vasco na segunda fase da Copa do Brasil 2019, onde enfrentará o vencedor do confronto entre Serra (ES) e Remo. O Gigante da Colina chegou a ser dominado em campo, em partes do primeiro e segundo tempo.

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O Juazeirense começou a partida impondo seu ritmo de jogo. Chegava ao ataque, trabalhava a bola e no espaço que encontravam faziam os chutes de longa distância. A defesa teve trabalho com Gustavo Balotelli e Rogerinho. No começo de jogo, o Vasco utilizava muito a ligação direta ao ataque, a pressão ofensiva do Cancão era apenas um dos obstáculos na saída de bola.

O campo irregular certamente era um dos outros obstáculos, antes mesmo do jogo o campo já era apontado como preocupação, mas na verdade foi com bola no chão e pelas laterais que o Vasco chegou ao primeiro gol. Uma passe em profundidade de Bruno César para Cáceres pela direita. O lateral tocou para dentro da área, Marrony dominou e tocou para trás, Maxi López tenta o chute, mas é travado e rola a bola para Yan Sasse chuta rasteiro no canto do goleiro.

Um diferencial que o Bruno César dá ao time do Vasco é este passe em profundidade, com um toque na bola ele pode “quebrar” as linhas de marcação do adversário. Porém com Bruno César e Maxi López em campo, o time perdeu um pouco da intensidade das últimas partidas. Mesmo com duplas de zaga diferentes, Leandro Castán e Werley ou Luiz Gustavo e Ricardo, a equipe vascaína mantinha seu ritmo. É possível afirmar que contra o Americano, Portuguesa e Fluminense, a defesa foi crucial na vitória. Com os devidos méritos ao goleiro Fernando Miguel, que vem fazendo ótimo início de temporada.

Apesar das reclamações em relação ao campo, o nível de atuação apresentado pelo Vasco caiu em relação as últimas partidas. A pontaria do Vasco continua não sendo das melhores. Segundo os dados do Footstats, foram 21 finalizações, sendo apenas 6 na direção do gol, um aproveitamento de 28,5%. O Juazeirense chutou 15 vezes ao gol e teve aproveitamento de 60%, pois 9 foram finalizações certas.

Arte que mostra os chutes do Vasco durante a partida. (Imagem: Reprodução/Footstats)

Algo que vem chamando a minha atenção é a bola levantada na área do Vasco, com a bola rolando. A defesa tem mostrado dificuldades nestes cruzamentos. Na primeira partida da temporada, o Madureira teve diversas oportunidades com cruzamentos, o segundo gol do Volta Redonda saiu de um cruzamento e no clássico contra o Fluminense, o chute no travessão de Luciano foi no rebote de um cabeceio de Yony González, no cruzamento de Mascarenhas. Por fim, o Juazeirense chegou com perigo, com Gustavo Balotelli nas bolas aéreas.

Análises Individuais

Fernando Miguel – vem se mostrando fundamental neste início de temporada. Fez duas defesas difíceis e influencio diretamente no resultado final. Quando a bola passa pela defesa, na maioria dos casos há o Fernando Miguel para salvar o time.

Raúl Cáceres – participou da jogada do primeiro gol do Vasco, mas pouco apoiou o ataque, principalmente no segundo tempo. Na etapa final, Gustavo Balotelli inverteu o lado e foi jogar pela esquerda. O Cáceres perdeu quase todas no um contra um com o Balotelli, inclusive o lance do primeiro gol baiano, no qual o paraguaio foi superado na força e velocidade pelo Gustavo Balotelli.

Werley – mostrou segurança mais uma vez. Ao lado de Castán e Fernando Miguel forma uma trinca importante no setor defensivo vascaíno. De acordo com o Footstats, o zagueiro teve 14 rebatidas na partida, uma estatística importante para a posição.

Leandro Castán – não fez a melhor de suas partidas. Além de ter feito um pênalti infantil, Castán parece ser um dos responsáveis pela distribuição de jogo no atual esquema de Alberto Valentim, o problema é que ele não tem tido tanto sucesso nesta função. Errou lançamentos que mais pareciam simples chutões para se livrar da bola.

Danilo Barcelos – importante na bola parada, mas por enquanto apenas isso. Defensivamente é pouco efetivo e em partidas que o adversário pressione ou tenha o controle da bola, Barcelos pouco sobe ao ataque, ficando com poucas chances de demonstrar sua melhor característica que é a boa chegada ao ataque.

Andrey – foi mal na partida e tomou decisões erradas. Errou passes curtos, jogou mais recuado e pouco ajudou na saída de bola, mesmo as subidas ao ataque foram poucas. Acabou ofuscado por Lucas Mineiro que se apresentou mais ao jogo.

Lucas Mineiro – manteve a regularidade deste início de temporada no Vasco. Lucas Mineiro tem sido uma grata surpresa ao torcedor vascaíno, venceu os duelos individuais e bem nas viradas de jogo. Um dos poucos que se salvam na atuação contra o Juazeirense.

Bruno César – errou muitos passes, parece ainda fora de forma e isso provavelmente prejudicou seu desempenho em campo, mas bem fisicamente mostrou que pode sim ser um jogador importante para o Vasco. Tem o passe decisivo, em profundidade que falta ao Thiago Galhardo. Porém diferentemente do citado não se movimenta tanto em campo. Uma avaliação será possível quando estiver em forma.

Marrony – o faz tudo de Alberto Valentim. Um excelente início de temporada do atacante. Já jogou na ponta direita, esquerda e de centroavante. A bola quase sempre passava pelos seus pés, vai se tornando cada vez mais titular absoluto no Vasco de 2019. Em determinadas jogadas demora para soltar a bola e acaba sendo desarmado.

Yan Sasse – ainda longe do necessário para ser titular na temporada, porém mais uma vez melhorou em relação à partida anterior. Não apenas pelo gol, mas por continuar a aparecer para o jogo. Ele enfrenta a defesa adversária, tenta o drible, parte para a jogada individual, pode sim ser uma boa peça para o Alberto Valentim, mas precisa dar mais se quiser ser o titular. Vale lembrar que ainda tem o atacante Rossi para ser testado.

Maxi López – Fez o gol de pênalti e a assistência para o gol de Yan Sasse, é um jogador decisivo. Não recompõe a marcação e fica com o dever de resolver na frente, ele resolveu, mas fica a expectativa para ver como o Vasco se comportará contra equipes com maior nível técnico e que procuram controlar o jogo, como Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e Grêmio, tendo Maxi López e Bruno César, jogadores que não voltam para marcar. Recompor com 8 jogadores pode ser um problema e um desgaste maior aos outros atletas.

Thiago Galhardo – pouco participativo, não entrou bem na partida. O meia ajudou mais na marcação. Viveu a sua melhor temporada em 2018, sendo crucial para o não-rebaixamento do Vasco, mas deve perder a posição para o Bruno César. Apesar de não ter o passe decisivo, já citado anteriormente, Galhardo se movimenta mais, dá mais opção e pode oferecer variação tática ao Alberto Valentim, jogando aberto ou até mesmo recuando para jogar como um segundo volante.

Yago Pikachu – entrou bem, deu uma mais movimentação a equipe entrando no lugar de Sasse que estava em declínio na partida. No último minuto de jogo teve uma chance de gol, mas acabou chutando muito forte e mandando por cima.

Lucas Ribamar – mais uma vez mal. O Ribamar se esforça e isso é nítido, mas o começo de temporada não é dos melhores. Entrou em campo faltando 16 minutos pro fim e não criou ou contribuiu em nenhuma oportunidade de gol criada.

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