F1

Falqueto e sua arte de transformar fatos em desenhos históricos

Antonio Marcos Ganança Falqueto, nascido na Ilha da Madeira, cidade do Funchal em Portugal e vivendo em São José dos Campos/SP começou a assistir Fórmula porque a televisão estava ligada e os carros chamaram sua atenção.

Ele começou a assistir Fórmula 1, mais precisamente dia 14 de maio de 1972, quando ao passar pela frente da TV ligada, ele percebeu uma movimentação diferente. Era a preparação para a largada do GP de Mônaco, em chuva torrencial. Tudo lhe hipnotizou, não conhecia nada e saiu daquela experiência modificado.

Ele pensou em correr, mas não havia nada parecido com corridas na cidade onde ele morava (Vitória/ES). Então focou em pilotar avião. O que conseguiu quando fez 18 anos.

Desde os seus 10 anos, sua paixão pelo automobilismo, lhe levou a rabiscar papéis tentando ver através do desenho os carros que ele gostava, já que não os via na rua.

Essa atividade ele traz contigo até hoje. Gosta de imaginar uma cena de uma corrida que aconteceu muitos anos atrás e que não esteja documentada por fotografia e tentar fazer sua interpretação.

A arte voltada ao automobilismo virou uma paixão. O tempo é escasso, mas sempre que o trabalho permite ele desenha e pinta carros, corridas e pilotos. Aqui uma cena do Grande Prêmio de Mônaco de 1950 vencida por Juan Manuel Fangio, pois a foto da capa é um de seus desenhos.

“Tenho paixão por corridas, mas uma queda especial pelas 24 horas de Le Mans. Quando tinha 15 anos, recebemos em casa uma menina de também 15 anos que procurava um intercâmbio. Ela era de Le Mans e eu gostava de carros. Resultado, virou paixão”, conta Falqueto.

“Hoje continuamos a nos relacionar pelas mídias sociais como irmãos. Eu estive em Le Mans um ano depois, em 1976. E ela procurou me dar acesso a tudo no circuito. Dei uma volta (de carona) pelo circuito e pude visitar a École de Pilotage de L’Automobile Club de L’Ouest que funciona na parte permanente do circuito de Le Mans. Meu sonho é conseguir assistir uma corrida em Le Mans”, diz Falqueto.

foto na sede da École de Pilotage tirada em 1976

Seu ídolo é Gilles Villeneuve, porque viu nele o mesmo que Enzo Ferrari viu. Uma doação sem limites. Um super-homem.

A partir do GP de Mônaco 72 escolheu um ídolo, nome Jackie Stewart. Não sabe porque, algo muito subjetivo, pois ele tem sonoridade do nome, o carro, a segurança na pilotagem, o estilo. E a inevitável capacidade de ultrapassar os concorrentes.

Falqueto colou com ele até sua aposentadoria em 1973 e ficou então com a equipe Tyrrell até conhecer o estilo Villeneuve. A partir de então sabendo que aquele estilo foi escolhido pelo Enzo Ferrari, ele virou “Ferrarista”.

O melhor piloto da atualidade para mim é Lewis Hamilton e Falqueto faz questão de deixar aqui sua homenagem a um cara que está fazendo história.

“Costumamos dar mais importância aos pilotos do passado do que aos atuais, e isso é natural, pois pilotos excepcionais não aparecem todos os anos. Então lembramos sempre dos que deixaram sua marca na história”, diz Falqueto.

“Excepcionalmente temos hoje este piloto fora do comum que já provou sua genialidade inúmeras vezes, superando todo o tipo de problema com uma força de vontade tenaz e uma constância de propósito quase inabalável”, conta Falqueto.

Provas de sua competência estão não só nas suas vitórias e títulos, mas nas suas conversas pelo rádio durante a corrida, no seu posicionamento sobre causas humanas, sobre os novos pilotos e etc.. É perfeito? Não. E isso não é um demérito pois nenhum humano é ou foi.

Mas é um cara que demonstra incansavelmente seu trabalho e esforço e só por isso já merece o lugar onde está, o de ídolo e modelo. Ele merece. E para Falqueto, pela sua atitude ante o seu trabalho, já conquistou seu lugar na mesma história onde colocaram os nomes de Fangio, Clark, Stewart, Schumacher, Senna, Emerson, Prost, Moss, Surtees, Hill e outros.

Um dos maiores pilotos da História da Fórmula 1. Mas há muitas pessoas, uma quantidade enorme, que ainda tem alguma crítica ou menosprezo. O cara tem 6 títulos, alguns vencidos com dificuldade contra o preferido da casa.

O que mais um cara precisa fazer para ser reconhecido como um dos maiores da História? Desconfio que a resposta não está no âmbito da competência do piloto, mas de algo errado na mente de quem não reconhece.

Falqueto termina, deixando os seguintes dizeres para quem sonha com automobilismo: “Siga o sonho, a única coisa pela qual vale a pena o sacrifício”.

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