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Farid e seus “causos” sobre automobilismo e Fórmula 1

Farid Lopes Salm Junior, nascido no antigo estado da Guanabara, no centro da cidade, assiste corridas de automóveis desde criança, pois não acompanho apenas a Fórmula 1, mas o automobilismo em geral. 

Ele acompanha pela TV, desde que o extinto programa dedicado ao automobilismo (pioneiro no Brasil – chamado Grand Prix) apresentado pelo jornalista Fernando Calmon, que transmitia um resumo de fatos sobre o citado esporte e eventualmente passava vídeo tapes compactos de algumas corridas. Isso, a partir de 1968, na extinta Rede Tupi de televisão.

Contudo, Farid já acompanhava o  mundo da velocidade e dos carros, lendo a Revista 4 Rodas, que sua tia comprava para ele, desde que lhe viu ler uma reportagem completa sobre as 1000 milhas de Interlagos de 1966. Ele gosta de carros desde que entendo por gente.

Farid, desde criança, alimentou esse sonho, que pôde transformar em realidade, ao completar 18 anos e, tirar sua carteira de habilitação. Seu pai “paitrocinou” um curso de pilotagem (que fez, através do extinto Curso Marazzi de Pilotagem) ministrado pelo saudoso piloto, jornalista e amigo Expedito Marazzi, que após o curso, agenciou algumas corridas, lhe incentivando. Mas, por ser um esporte caro e, não conseguindo se manter e correr, teve que desistir da carreira.

Ele tem muitos casos para contar, como uma viagem escondido (onde mentiu para meus pais), dizendo que iria acampar com colegas de colégio, conhecidos frequentadores de sua casa, na cidade de Cascavel, no Paraná, para assistir a uma corrida de Fórmula Super Vê. Ele conseguiu uma excursão e, partiu.

Ao retornar, o motorista do ônibus sofreu um ataque cardíaco e, precisou ser hospitalizado, em Toledo/PR. Comunicada, a Empresa proprietária do ônibus informou que um outro motorista iria buscar, na segunda feira, à tarde.

Houve um tumulto, pois muitos passageiros tinham compromissos para a segunda-feira e, Farid teria que voltar pra casa. Então, ele tomou a direção do ônibus e, o levou até São Paulo/SP, onde o motorista encontrou, para lhes trazer de volta.

Farid não tinha e, nem tenho habilitação para guiar ônibus, mas levou e, não foi parado por nenhum agente da PRF, foi uma aventura.

Para Farid é muito difícil optar por apenas um piloto, para ser o ídolo. Contudo, ele crê que o Emerson foi o vetor para o crescimento do automobilismo no Brasil. Mas, sempre admirou pilotos brasileiros, desde criança.

Bird Clemente, Marinho DKW, Camilo Cristófaro, Cyro Cayres, José Carlos Pace, Francisco Lameirão, Maurício Chulam Neto, Ricardo Aschcar, Norman Casari, Jan Balder e, depois, Ingo Hoffmann, Nelson Piquet, Alex Dias Ribeiro, Antônio de Castro Prado, Dárcio dos Santos(tio de Rubens Barrichello), Átila Sipos, Jorge de Freitas, Luiz Otávio Paternostro, Elvio Divani, Ricardo Mansur, Toninho da Matta, entre outros, marcaram sua memória e seu coração.

Porém, Jim Clark era o seu piloto preferido, pois suas performances nas pistas eram como atos de verdadeiro heroísmo. Era também, o ídolo de Emerson, cuja carreira Farid acompanhou desde os seus tempos de kart, pela Revista 4 Rodas.

Já Lewis Hamilton chegou à Fórmula 1 por méritos (não foi piloto pagante) e, desde sua primeira temporada, disputa o título, em condições de vencer. Foi campeão já na sua segunda temporada, não parou de evoluir e, hoje, jovem ainda, é o melhor piloto em atividade, na categoria.

“Em primeiro lugar, é preciso ser persistente, ter capacidade de assimilar conhecimentos rapidamente e, conseguir muita grana para investir na carreira. Sem grana, fica difícil, é melhor ficar nas arquibancadas. Muita frustração não conseguir seguir em frente, apenas por fatores financeiros, quando você sabe que o seu talento é grande, mas não garante vaga em nenhum grid”, diz Farid em como os novatos devem ser.

Farid lembra de um rapaz, que apareceu no autódromo de Interlagos, pedindo ao Marazzi para dar uma volta em Interlagos. Marazzi, por bondade, levou o garoto para dar uma volta pela pista, achando que ele sentiria medo e, desistiria.

Era uma tática dele: colocar o aluno no banco do carona do carro, dar duas voltas com o pé embaixo, observando cada gesto, cada movimento do aluno, durante as voltas. Se percebesse medo no olhar do aluno, cancelava a matrícula na hora, devolvia o dinheiro e, informava os pais sobre o motivo. Muitos não passavam destas duas voltas e, saiam do carro com as calças molhadas.

Pois, voltando ao rapaz, este era condutor do Metrô de São Paulo, não tinha grana nem para comprar o capacete (utilizou o do Farid, para ir pra pista) e, pedia uma bolsa ao Marazzi para fazer o curso.

Mesmo com dó do cara, Marazzi lhe disse: “_ Amigo, você ganha um salário que dá pra manter sua família com dificuldades, não sobra nem pra comprar um capacete, quanto mais um equipamento completo, como luvas, macacão anti-chamas, sapatilhas, tuta e balaclava.

Além disso, o Maluf (prefeito de São Paulo, à época) não irá fazer um “metrô GT” pra você, certo? então, fica na arquibancada e curta as emoções, por lá, pois aqui, não há futuro para quem não tenha como investir”.

“Só pra ilustrar, na época, as corridas para estreantes e novatos eram proibidas e, para ingressar no esporte, somente através de cursos, como o que eu fiz. Em 1980 custava o equivalente a um Fusca zero Km, pago à vista. Hoje, não sai por menos de 50 mil reais, incluindo todos os equipamentos. Um macacão anti-chamas de boa qualidade, custa em torno de 4.500 reais! Coisa para poucos”, finaliza Farid.

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