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Flamengo vive ano turbulento e sem conquistas; confira a retrospectiva rubro-negra

Clube da Gávea enfrenta montanha-russa e passa 2018 em branco

No último ano de mandato de Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo viveu mais uma montanha-russa, como foi em 2017. O Rubro-Negro foi da euforia, em alguns momentos, à decepção. Atingiu sua maior pontuação no Campeonato Brasileiro, mas não conquistou o título. Foi às oitavas da Libertadores após 3 eliminações seguidas na fase de grupos, porém, caiu para o Cruzeiro. Chegou na semifinal da Copa do Brasil, no entanto, não foi capaz de vencer o Corinthians em 180 minutos. Somada às frustrações nos torneios que disputou, ainda teve que conviver com trocas de treinadores, vendas de jogadores promissores e um imbróglio com um atacante peruano. Em ordem cronológica, confira como foi o ano de 2018 no Flamengo:

RUEDA VAI OU FICA?

Os primeiros dias de janeiro já mostravam que o ano rubro-negro seria difícil. O técnico Reinaldo Rueda havia recebido uma proposta da seleção chilena e teve seu futuro indefinido no Fla. A resposta final veio no dia 08, quando o colombiano decidiu deixar o time carioca para assumir o Chile.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

CARPEGIANI ASSUME E FLAMENGO COMEÇA BEM NO CARIOCA

Paulo César Carpegiani foi a bola da vez para assumir o clube da Gávea. O treinador foi anunciado no mesmo dia em que Rueda comunicou sua saída. Carpegiani teve só uma semana para a estreia no Campeonato Carioca. Com o time todo reserva e recheado de jovens, o Flamengo derrotou o Volta Redonda por 2 a 0.

O início de trabalho no Rubro-Negro foi promissor. Quatro vitórias em cinco jogos no Grupo B da Taça Guanabara. Na semifinal, o time da Gávea venceu o Botafogo por 3 a 1, na estreia de Henrique Dourado, com direito a gol do Ceifador. Nesta partida contra o Alvinegro, Vinícius Júnior marcou um lindo gol e na comemoração, provocou o rival. A atitude do jovem atacante revoltou a diretoria do Botafogo, que vetou o Estádio Nilton Santos para a final do primeiro turno. A decisão então foi levada para o Estádio Kleber Andrade, em Cariacica, no Espírito Santo. O Flamengo bateu o Boavista por 2 a 0, e conquistou a Taça Guanabara.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

PRIMEIRA DERROTA NO ANO E ESTREIA NA LIBERTADORES

Tudo parecia estar nos trilhos. Em sete jogos na Taça Guanabara, o Flamengo venceu seis e só sofreu um gol. A estreia no segundo turno foi perfeita. Vitória tranquila por 4 a 0 sobre o Madureira. Na rodada seguinte, veio a primeira derrota. Goleada sofrida por 4 a 0 para o rival Fluminense, em Cuiabá. Não deu nem tempo de lamentar o revés, pois o time tinha a estreia na Copa Libertadores. Devido as confusões na final da Copa Sul-Americana de 2017, o Flamengo jogou contra o River Plate no Nilton Santos e sem torcida. Empate frustrante por 2 a 2 – mesmo após estar à frente do placar por duas vezes.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

EUFORIA COM VINÍCIUS JÚNIOR

O time seguiu mantendo uma campanha firme no estadual, mas o que o torcedor rubro-negro queria saber mesmo era da Libertadores. Fora de casa, o Flamengo enfrentou o Emelec e saiu atrás no placar. Foi quando Carpegiani colocou Vinícius Júnior em campo. O jovem atacante marcou dois gols, virou o jogo e o Rubro-Negro venceu, longe do Rio de Janeiro – algo que não havia acontecido na Libertadores do ano anterior.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

DUPLA ELIMINAÇÃO NO CARIOCA E DEMISSÃO DE CARPEGIANI

O Flamengo se classificou para a semifinal da Taça Rio e precisava vencer o Fluminense para avançar à final. A partida terminou em 1 a 1, e como o Tricolor tinha a vantagem do empate, conquistou a vaga na final, eliminando o Rubro-Negro. Uma semana depois, o clube da Gávea disputara a semifinal do Carioca. Jogou mal, foi derrotado pelo Botafogo e deu adeus à competição – com direito a provocação do rival.

Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo

A eliminação no estadual resultou na demissão do técnico Paulo César Carpegiani. O diretor executivo de futebol do clube, Rodrigo Caetano, também arrumou suas malas e deixou a Gávea. Começava então a crise no Rubro-Negro.

BRASILEIRÃO COM TÉCNICO INTERINO E DESPEDIDA DE JÚLIO CÉSAR

Após a derrota para o Botafogo no Carioca, o Flamengo teve mais de 10 dias para arrumar a casa e pensar no Brasileirão. Quem comandou o time na estreia contra o Vitória, foi o então interino Mauricio Barbieri. Com erros de arbitragem, o duelo de rubro-negros terminou empatado em Salvador. Na rodada seguinte, Júlio César faria sua última partida com a camisa do seu clube de coração. Mais de 40 mil pessoas no Maracanã prestigiaram a vitória por 2 a 0 sobre o América-MG e o adeus do goleiro ídolo.

Foto: Staff Images/Flamengo

EMPATES FRUSTRANTES NA LIBERTADORES E PRESSÃO DA TORCIDA

A torcida do Flamengo deu um show em um treino realizado no Maracanã. Mais de 45 mil pessoas incentivaram o time antes do jogo contra o Santa Fé, pela Copa Libertadores – já que este jogo seria o último sem torcida no estádio. Resultado do jogo? Empate decepcionante, no Maracanã. Na semana seguinte, novo empate, dessa vez na Colômbia.

Foi a gota d’água com o time. Alguns membros de uma torcida organizada foram ao aeroporto para agredir os jogadores. Confusão e mais uma crise. Só havia um jeito para contornar esta situação: vencer. Com um 3 a 0 no Castelão, o Flamengo bateu o Ceará e amenizou o clima. Na comemoração do terceiro gol, Diego – um dos mais cobrados pela torcida – foi ao encontro dos flamenguistas para vibrar pela segunda vitória no Brasileirão.

LIDERANÇA NO BRASILEIRÃO E CLASSIFICAÇÃO PARA AS OITAVAS DA LIBERTADORES

Diante de mais de 60 mil pessoas, o Flamengo venceu o Internacional e assumiu a ponta da tabela no Brasileirão. A derrota para a Chapecoense na rodada seguinte não desanimou a torcida, pois o foco estava no quinto jogo pela fase de grupos da Copa Libertadores.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Em casa, o Rubro-Negro podia carimbar a vaga para as oitavas de final após três eliminações consecutivas na fase de grupos. Éverton Ribeiro decidiu, marcou dois gols e o Flamengo venceu o Emelec, garantindo a classificação.

SEGUE O LÍDER

Depois de perder para a Chape e empatar com o Vasco, o Flamengo voltou a vencer, conquistando três pontos em Belo Horizonte, diante do Atlético-MG. Dali em diante, começou a expressão que marcou o time em 2018: segue o líder. O Rubro-Negro engatou uma sequência de cinco vitórias.

DESPEDIDAS E PAUSA PARA A COPA

Na vitória sobre o Paraná por 2 a 0 no Maracanã, Vinícius Júnior e Felipe Vizeu se despediram do clube carioca. Vinícius foi para o Real Madrid, enquanto Vizeu foi negociado com a Udinese, da Itália. O último jogo deles com a camisa do Flamengo foi contra o Palmeiras, na rodada seguinte, no Allianz Parque. Com a Copa do Mundo, o calendário do futebol brasileiro congelou, e o Rubro-Negro tinha a liderança do Brasileirão, vaga nas quartas de final da Copa do Brasil e classificação para as oitavas da Libertadores.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

VACILO EM CASA

Logo no primeiro jogo depois pausa para a Copa do Mundo, o Flamengo enfrentou o São Paulo, no Maracanã. O Tricolor paulista era o então vice-líder, com quatro pontos atrás do time carioca. Era a chance de ouro do Rubro-Negro disparar na ponta do Brasileirão. Mas o time de Mauricio Barbieri sucumbiu a algo implacável no futebol: a lei do ex. Negociado com o São Paulo, Éverton marcou o único gol da partida, decretando a vitória do Tricolor.

CONTRATAÇÃO MAIS CARA DA HISTÓRIA E FIM DO CAÔ

Para suprir a ausência de Vinícius Júnior, a diretoria foi ao mercado e contratou o atacante Vitinho pelo valor de R$ 45 milhões de reais, se tornando a aquisição mais cara da história do clube. O jogador assinou um contrato até 2022 com o clube rubro-negro.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Após todo o imbróglio envolvendo Paolo Guerrero, o atacante decidiu deixar o Flamengo. O peruano não chegou a um acordo com a diretoria e foi transferido para o Internacional. Sua última partida foi contra o Sport, no Maracanã. Em 2018, Guerrero marcou apenas um gol com a camisa do Flamengo.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

AGOSTO FRACO

O Flamengo sabia que o oitavo mês do ano seria difícil. Uma maratona de 9 jogos aguardava o time carioca. No primeiro teste, empate conquistado no último lance contra o Grêmio, em Porto Alegre. O resultado foi comemorado devido as condições do confronto. Mas na partida seguinte, o Flamengo foi derrotado – jogando muito mal – por 2 a 0, para o mesmo time, só que desta vez, pelo Brasileirão.

O time mudou a chave e passou a focar na Libertadores. Derrota dura para o Cruzeiro por 2 a 0, no Maracanã, pela partida de ida. A equipe precisava se recuperar para encarar a Raposa novamente, só que pelo Campeonato Brasileiro. A vitória por 1 a 0 deu um alívio para o novo confronto pela Copa do Brasil. Éverton Ribeiro marcou, o Flamengo despachou o Grêmio e carimbou a vaga nas semifinais do mata-mata nacional.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O Rubro-Negro voltou a tropeçar no Brasileirão e viu a liderança do mais distante. Para piorar, o time foi eliminado da Libertadores. A maratona do mês de agosto foi cansativa para a equipe, tanto no aspecto físico, quanto no emocional. Foram quatro vitórias, três derrotas e dois empates.

ELIMINAÇÃO NA COPA DO BRASIL E DEMISSÃO DE BARBIERI

Jogo decisivo no Maracanã contra o Corinthians e o Flamengo… empatou em 0 a 0. O resultado foi terrível, e piorou a situação no clube. O empate com o Vasco no jogo seguinte aumentou a tensão sobre o técnico Mauricio Barbieri. A pressão foi insuportável após o dia 26 de setembro, data da eliminação do Rubro-Negro na Copa do Brasil. No dia seguinte a derrota, Barbieri foi demitido. Mais uma crise instalada no clube.

NOVO TREINADOR E VENDA DE LUCAS PAQUETÁ

Dorival Júnior não teve nem tempo de conhecer o elenco e já estava à beira do campo para treinar o time contra o Bahia. No primeiro jogo do novo treinador, empate em 0 a 0 com o Tricolor, em Salvador. A primeira vitória de Dorival no comando do Flamengo foi justamente contra o Corinthians, no mesmo lugar em que o time havia sido eliminado semanas antes.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Dias depois, veio a notícia: Lucas Paquetá, um dos destaques do time, estava vendido ao Milan, da Itália. O Flamengo negociava seu terceiro jovem com um clube europeu em 2018. Mas o jogador só daria adeus após o fim do Brasileirão.

DIEGO ALVES BARRADO

Com Dorival, o Flamengo engatou uma sequência de três vitórias consecutivas – marcando 10 gols e não sofrendo nenhum. Antes da viagem para o jogo contra o Paraná, o técnico decidiu deixar Diego Alves no banco, pois o goleiro voltava de contusão. O arqueiro não gostou e se recusou a viajar com o elenco para o sul do país. Dorival manteve César no gol e barrou Diego Alves.

A CHANCE PERDIDA

Uma final marcada para o dia 27 de outubro. Um dia antes do segundo turno da eleição para presidente do Brasil, Flamengo e Palmeiras decidiriam o futuro do campeonato. O clima no Maracanã era de decisão. E não era para menos. O Rubro-Negro, quatro pontos atrás do Verdão, primeiro colocado. Dudu abriu o placar para os visitantes, mas Marlos Moreno empatou a partida, encerrando um jejum que já passava de dois anos. Até que a chance do campeonato caiu no pé esquerdo de Lucas Paquetá. Era a chance. Marlos Moreno invadiu a área rolou para trás. Paquetá ficou cara a cara com Weverton, com todo espaço e tempo do mundo para escolher o canto, marcar o gol e botar fogo no Brasileirão. Mas o chute foi para fora, isolando a maior oportunidade do ano para o Flamengo.

MAIS UMA CHANCE JOGADA PARA O ALTO E DERROTA PARA O BOTAFOGO

Como se não bastasse o gol perdido por Paquetá, coube a Vitinho estragar o domingo do torcedor rubro-negro. São Paulo e Flamengo empatavam por 2 a 2 no Morumbi, quando aos 45 minutos do 2º tempo, a chance da vitória surgiu no pé da contratação mais cara da história do clube. Geuvânio cruzou, a bola passou por todo mundo e se ofereceu limpa para Vitinho marcar, mas o camisa 14 jogou pelo alto.

Foto: Staff Images / Flamengo

Após dois empates terríveis para as pretensões rubro-negras, o Botafogo serviu de atrapalhar ainda mais o grande rival. No Nilton Santos, o Fogão bateu o Flamengo por 2 a 1, escapando do rebaixamento e afundando o time da Gávea.

RESPIRANDO POR APARELHOS

O Campeonato Brasileiro 2018 poderia ser decidido bem antes. Na rodada 35, o Flamengo visitou o Sport na Ilha do Retiro. O time de Dorival Júnior conseguiu uma vitória difícil contra o Leão pernambucano e com o empate do Palmeiras, manteve a esperança de título.

No jogo seguinte, mais uma vitória, dessa vez contra o Grêmio, no Maracanã. Triunfo bastante comemorado. Mas só havia um problema: o Palmeiras também venceu. O xeque-mate do Brasileirão estava armado.

FIM DA LINHA

Com Éverton Ribeiro inspirado – e disposto a deixar o Mineirão com mais obras de arte que o Louvre -, o Flamengo venceu o Cruzeiro por 2 a 0, mas o resultado não fez a menor diferença. Isso porque em São Januário, o Palmeiras derrotou o Vasco por 1 a 0, acabando com as chances matemáticas do Rubro-Negro e conquistando o décimo título de sua história.

Foto: Staff Images / Flamengo

DESPEDIDA MELANCÓLICA DE LUCAS PAQUETÁ

Mais de 66 mil pessoas foram ao Maracanã para a última partida do ano. Sem mais nada para brigar, o Flamengo enfrentou o Atlético-PR. Negociado com o Milan, Lucas Paquetá se despediu da torcida. E mesmo com muitos reservas, o Furacão derrotou o Fla por 2 a 1, de virada, colocando um ponto final no ano do time da Gávea.

Foto: Staff Images / Flamengo

Não foi um ano vergonhoso, a ser jogado no lixo. Uma 2ª colocação num campeonato disputado como o Brasileirão – e atingindo sua maior pontuação na história – não é algo fácil. Em 2019 o Flamengo participará de sua 3ª Libertadores seguida, algo que não era comum. Mas a temporada 2018 deixa um gostinho de que o Rubro-Negro poderia fazer mais.

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