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Participante do Vice-campeonato da Copa do Brasil de 1999, Fabio Augusto diz: “Botafogo é um time emblemático”

Em entrevista exclusiva para Rádio Opinião, Fabio Augusto fala da campanha de 1999 e lembra: "momento mais triste da minha carreira"

O Botafogo estreia em mais uma Copa do Brasil, na quarta (13), contra a equipe do Campinense-PB. A Rádio Opinião conversou com Fabio Augusto, uma dos protagonistas da melhor campanha do Botafogo na história da Copa do Brasil. Entre os assuntos, Fábio contou sobre a caminhada da equipe naquele ano, seu jogo inesquecível da campanha e a pedido da Rádio, deixou um conselho para Zé Ricardo e seus comandados terem sucesso na competição; confira a entrevista.

Rádio Opinião: 1 – Apesar de não estar entre os favoritos da época, o Botafogo foi a final e com méritos. O que você considerou fundamental naquela caminhada?

Fabio Augusto: R: Tínhamos um time muito bom. Bebeto, Valber, Sérgio Manoel, Jorge Luiz, Gonçalves, Reidner, Eu (Fabio Augusto), Rodrigo (Beckham), Zé Carlos (atacante), Paulo Bayer, fora outros nomes. Como era Copa do Brasil, no começo não atuamos com o time titular, quando o time começou a atuar, já estávamos encaixados, já tínhamos um conjunto atuando por algum tempo juntos, já dava pra saber mais ou menos os 11 que estavam sempre jogando, acho que, por ser uma competição de mata-mata, isso fez uma grande diferença pra gente poder ter chego na final, com méritos.

2 – Apesar de não ganhar o título, essa segue como a melhor campanha do Botafogo na história. O que isso representa pra você?

R: Apesar de ter sido a melhor campanha da história do Botafogo, esse dia foi muito triste, o mais triste da minha carreira como atleta. Acabamos empatando aqui, depois de ter perdido lá, por conta dos dois gols anulados do Botafogo, erradamente. Por um acaso eu até vi alguns lances desse jogo nesses dias. Conseguimos virar um jogo contra a equipe do Juventude que era muito boa (mas anularam os dois gols). Aqui no Maracanã eles fizeram uma retranca violenta e não conseguimos furar aquilo. Me lembro que eu sai machucado no intervalo e acabou não sendo um dia legal. Foi marcante para o Botafogo, mas poderia ter sido muito melhor. O clube teria sido campeão brasileiro em 1995 e da Copa do Brasil em 1999, e teríamos colocado o clube na Libertadores em 2000. Creio que aquilo ali (o Vice campeonato) foi um atraso muito grande para o clube. Por outro lado, poderia ter escondido muitos problemas de gestão. Isso tem vindo cada vez mais atona, porém não era muito exposto por que o Brasil sempre produziu grandes talentos no campo, sempre teve grandes jogadores. talvez aquele título escondesse a bagunça que já estava o Botafogo imperando, com salários atrasados e etc… Foi muito ruim na época ter perdido esse campeonato, mas não deixa de ser considerado um grande time que o Botafogo teve. Não chegamos na final da Copa do Brasil atoa. Eliminamos grandes times na fase eliminatória, como Palmeiras, Athléticio-PR, tivemos duelos inesquecíveis antes da final contra o Juventude, que também era muito bem montado na época.

3 – Um jogo marcante daquela caminhada?

R: Pra mim, foi aquela partida contra o Palmeiras, na Semifinal, que nós eliminamos eles no Maracanã, nos pênaltis. Eu lembro que no fim do jogo, o Paulo Bayer estava jogando na lateral, teve que sair no final do jogo e eu tive que sair da meia para ser improvisado na lateral. Eu lembro que o Felipão botou o Euller para jogar ali do meu lado, e eu já cansado no segundo tempo, um sufoco violento. Eu cansado, fora de posição e ainda ter que ficar correndo atrás dele, foi complicado. Quando foi para os pênaltis, eu era o segundo a bater e o Sandro o primeiro. Palmeiras bateu primeiro e fez, ai o Sandro foi bater e perdeu. O Arce foi o segundo a bater e fez, então eu fiquei com uma responsabilidade muito grande, porque se eu perco aquele ali, praticamente já era. O Marcos era o goleiro e eu pensei: “vou arriscar não”. Dei uma porrada firme no alto e fizemos o primeiro. Depois o Wagner pegou dois pênaltis, um monstro no gol, ai nós eliminamos Eles. Pra mim esse foi o jogo marcante, mas do que a final. Maracanã bem cheio, devia ter umas 80 mil pessoas ali. Momento marcante não só dessa campanha, como pra mim, na minha carreira também.

4 – A Copa do Brasil tem sido um pouco traumática para o Botafogo, que conselho você daria hoje, para o Zé e os jogadores, visando sucesso na competição?

R: Eu tenho acompanhado a caminhada do Botafogo, mas não de tão de perto. Ultimo jogo do Botafogo eu vi alguns lances e achei um time bem aguerrido, bem plantado, um time que sai rápido. Meu conselho é: A Copa do Brasil é uma competição diferente, ela não permite erro, diferente do Brasileiro. Tem que ter 100% de atenção, você vai ter um desgaste maior, os jogos são mais abertos, acho que o barato da competição é isso, pois todos tem que jogar pra frente, não tem como ficar amarrando o jogo. O Zé tem que conseguir montar um time que seja ao mesmo tempo aguerrido e que saiba jogar dessa maneira, precavido, pois você não pode errar. O Botafogo vai ter que ter um time muito bem montado atrás e que ele consiga mesclar jogadores que tenha um poder de destruição na frente. Os que podem resolver o jogo, tem que estar atentos as oportunidades, porque você tem que ir la e matar. Alguém vai sair chorando e é difícil deixar para recuperar no outro jogo. Tomara que o Botafogo consiga exito, consiga os objetivos dele nesse ano. O Botafogo é um time emblemático, é um time legal de se jogar, tem uma camisa pesada, tem toda uma história ali, assim como tem o Santos, por exemplo. Acho que a torcida do Botafogo merece um título expressão novamente.

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